Oi, pessoal!
Boas novas. A Ana Cristina Melo, aluna da Estação, mandou alguns endereços de concursos literários para quem tiver coragem e vontade de participar. Ei-los:
1. Até 24 de junho. 4º Concurso Literário de Suzano. O autor pode enviar até 2 obras, nas categorias de Conto e Poesia. Contudo, o participante só poderá efetuar a inscrição em apenas uma categoria. Regulamento está disponível no site: http://www.suzano.sp.gov.br/.
2. Até 31 de julho. 9º Concurso de Literatura - Conto, Crônica, Poesia - Fundação Cultural de Canoas/RS. O autor pode enviar até 2 trabalhos de cada gênero. Regulamento: http://www.fundacan.com.br/
3. Até 31 de julho. Prêmio Cataratas. Conto e Poesia. Podem participar enviando 1 trabalho em cada gênero. Regulamento: http://www.fozdoiguacu.pr.gov.br/.
4. Até 15 de agosto. Prêmio SESC de Literatura 2008. Categorias: Conto e Romance. Participação de apenas uma obra em cada categoria. Romance deve ter entre 130 e 400 laudas. Livro de contos, entre 70 e 200 laudas.
5. Até 31 de agosto. 2º Prêmio UFF de Literatura. Contos, Crônicas e Poesias. Participação de apenas 1 texto, em cada categoria. Tema: "PLANETA TERRA, 2050".
6. Até 31 de agosto. 18º Concurso de Contos Luiz Vilela. Pode participar com qualquer quantidade de contos.
7. Até 9 de setembro. Concurso de contos Paulo Leminski. Um texto, até 20 pág. Tema livre.
http://www.unioeste.br/leminski
http://www.toledo.pr.gov.br
Outros estão no site www.gargantadaserpente.com
terça-feira, 17 de junho de 2008
sábado, 14 de junho de 2008
NOTAS SOBRE A AULA DO SCLIAR
Quando um escritor entra na sala da Estação das Letras, já causa um certo frisson nos alunos. Mas quando ele é um grande escritor, há um abalo sísmico interno, em cada um de nós.
Foi o que aconteceu ontem quando o Moacyr Scliar entrou, de terno, elegantíssimo.
Fez uma breve apresentação de si mesmo, e depois da nossa, começou uma aula com a segurança de quem conhece o tema: "Os mestres do conto". Na parte da manhã falou do conto como gênero literário, diferenciou-o do romance e da novela, depois leu alguns contos do Poe, do Kafka e da Clarice. Mas tudo com calma, explicando e mostrando o estilo dos autores, as metáforas, a linguagem, a mensagem.
À tarde, leu os nossos contos, procurando sempre destacar em cada um o que havia de melhor, depois apontava uma ou outra imperfeição, mas com a maior simplicidade, sem ditar regras e procurando não ferir os alunos, aprendizes do ofício.
Algumas anotações feitas em aula:
- Ler em voz alta o que se escreve
- Falar do que se conhece
- Cada detalhe tem que estar a serviço do conto.
- escrever um conto dá ilusão às pessoas de que a vida faz sentido. Ele corresponde a uma necessidade psicológica.
- não usar onomatopéia, como eu usei no meu: "e aí ele ploft, sumiu".
- evitar o realismo fantástico. Não tentar imitar Kafka, ou Guimarães Rosa, ou Garcia Márquez.
Os contos que não foram lidos, ele levou para ler no avião de volta. Para Porto Alegre.
E nosotros vamos também fazer a nossa crítica (construtiva!) a estes.
Em agosto ele dará um outro workshop e pelo jeito, terá que dar um outro. E mais outro...
Foi o que aconteceu ontem quando o Moacyr Scliar entrou, de terno, elegantíssimo.
Fez uma breve apresentação de si mesmo, e depois da nossa, começou uma aula com a segurança de quem conhece o tema: "Os mestres do conto". Na parte da manhã falou do conto como gênero literário, diferenciou-o do romance e da novela, depois leu alguns contos do Poe, do Kafka e da Clarice. Mas tudo com calma, explicando e mostrando o estilo dos autores, as metáforas, a linguagem, a mensagem.
À tarde, leu os nossos contos, procurando sempre destacar em cada um o que havia de melhor, depois apontava uma ou outra imperfeição, mas com a maior simplicidade, sem ditar regras e procurando não ferir os alunos, aprendizes do ofício.
Algumas anotações feitas em aula:
- Ler em voz alta o que se escreve
- Falar do que se conhece
- Cada detalhe tem que estar a serviço do conto.
- escrever um conto dá ilusão às pessoas de que a vida faz sentido. Ele corresponde a uma necessidade psicológica.
- não usar onomatopéia, como eu usei no meu: "e aí ele ploft, sumiu".
- evitar o realismo fantástico. Não tentar imitar Kafka, ou Guimarães Rosa, ou Garcia Márquez.
Os contos que não foram lidos, ele levou para ler no avião de volta. Para Porto Alegre.
E nosotros vamos também fazer a nossa crítica (construtiva!) a estes.
Em agosto ele dará um outro workshop e pelo jeito, terá que dar um outro. E mais outro...
segunda-feira, 9 de junho de 2008
CONVITE DE LANÇAMENTO
OI, PESSOAL,
Tenho o enorme, inenarrável, incomensurável prazer de convidar todos os amigos para o lançamento do 3o. livro do meu grande amigo de copo e de cruz João Paulo Vaz.
Vai ser na Livraria Timbre, no Shopping da Gávea, 3a. feira, dia 10 de junho, das 19 às 22h.
Atenção ao nome do Livro:
"SEXMASTER 5 e outras histórias",
e não é um pornô, por mais que possa parecer. É um livro de contos, muito bem contados, pois ele é um mestre, já ganhou o prêmio da Casa de Cultura Mário Quintana e o Josué Guimarães, de Passo Fundo.
Este livro marca a estréia da Editora Cais Pharoux, do meu querido amigo Horácio Soares Neto e da Glória, que estarão lá, também, ao vivo e em cores, distribuindo charme, veneno e simpatia.
Vai ser um lançamento badaladíssimo, a crème de la crème de Literatura da Estação das Letras estará lá, compareçam a uma noite inesquecível, com um grupo de chorinho para alegrar o convescote, um vinzim français que ninguém é de ferro, para amenizar ou aumentar a alegria.
Esperamos todos lá, a Literatura precisa continuar, fazemos parte da resistência pacífica. A vida está nos livros!
Tenho o enorme, inenarrável, incomensurável prazer de convidar todos os amigos para o lançamento do 3o. livro do meu grande amigo de copo e de cruz João Paulo Vaz.
Vai ser na Livraria Timbre, no Shopping da Gávea, 3a. feira, dia 10 de junho, das 19 às 22h.
Atenção ao nome do Livro:
"SEXMASTER 5 e outras histórias",
e não é um pornô, por mais que possa parecer. É um livro de contos, muito bem contados, pois ele é um mestre, já ganhou o prêmio da Casa de Cultura Mário Quintana e o Josué Guimarães, de Passo Fundo.
Este livro marca a estréia da Editora Cais Pharoux, do meu querido amigo Horácio Soares Neto e da Glória, que estarão lá, também, ao vivo e em cores, distribuindo charme, veneno e simpatia.
Vai ser um lançamento badaladíssimo, a crème de la crème de Literatura da Estação das Letras estará lá, compareçam a uma noite inesquecível, com um grupo de chorinho para alegrar o convescote, um vinzim français que ninguém é de ferro, para amenizar ou aumentar a alegria.
Esperamos todos lá, a Literatura precisa continuar, fazemos parte da resistência pacífica. A vida está nos livros!
FLIP de JULHO 2008
Bem-vindo à FLIP 2008 - 2 a 6 de julho
Programação
A partir de hoje a programação completa da Festa Literária Internacional de Paraty, com biografias dos autores convidados e resumo das mesas está disponível no site da FLIP. São 41 autores convidados vindos da América do Norte, da Europa, da África e de vários países da América do Sul, além dos 22 autores nacionais.
Homenagem a Machado
Abrindo a FLIP, Roberto Schwarz, um dos mais destacados intérpretes da obra de Machado, discutirá o livro Dom Casmurro, por ele considerado o “romance possivelmente mais refinado e composto da literatura brasileira”.
Em outra mesa, “Papéis Avulsos”, Flora Süssekind, Luiz Fernando Carvalho e Sergio Paulo Rouanet falam sobre suas diferentes experiências com a obra machadiana.
A homenagem a Machado se estende também pela programação do FLIP ETC. com adaptações da obra do autor para o cinema, teatro, e uma exposição sobre o Rio de Janeiro do fim do século XIX.
Show de Abertura
Luiz Melodia é o convidado desta sexta edição para o show de abertura, que acontecerá na quarta-feira, dia 2/7.
Ingressos
Os ingressos estarão à venda a partir do dia 10/6. A compra pode ser feita pela internet, por telefone, ou em pontos-de-venda da Ingresso Rápido.
Tenda dos Autores (mesas e conferência de abertura): R$ 25 cada Show de abertura na Tenda do Telão: R$ 25 Tenda do Telão (transmissão das mesas e da conferência de abertura): R$ 8
PatronosEstão abertas as inscrições para Patronos e Amigos FLIP. Para cada categoria há uma série de benefícios.
Conheça detalhes acessando o site da FLIP.
Programação
A partir de hoje a programação completa da Festa Literária Internacional de Paraty, com biografias dos autores convidados e resumo das mesas está disponível no site da FLIP. São 41 autores convidados vindos da América do Norte, da Europa, da África e de vários países da América do Sul, além dos 22 autores nacionais.
Homenagem a Machado
Abrindo a FLIP, Roberto Schwarz, um dos mais destacados intérpretes da obra de Machado, discutirá o livro Dom Casmurro, por ele considerado o “romance possivelmente mais refinado e composto da literatura brasileira”.
Em outra mesa, “Papéis Avulsos”, Flora Süssekind, Luiz Fernando Carvalho e Sergio Paulo Rouanet falam sobre suas diferentes experiências com a obra machadiana.
A homenagem a Machado se estende também pela programação do FLIP ETC. com adaptações da obra do autor para o cinema, teatro, e uma exposição sobre o Rio de Janeiro do fim do século XIX.
Show de Abertura
Luiz Melodia é o convidado desta sexta edição para o show de abertura, que acontecerá na quarta-feira, dia 2/7.
Ingressos
Os ingressos estarão à venda a partir do dia 10/6. A compra pode ser feita pela internet, por telefone, ou em pontos-de-venda da Ingresso Rápido.
Tenda dos Autores (mesas e conferência de abertura): R$ 25 cada Show de abertura na Tenda do Telão: R$ 25 Tenda do Telão (transmissão das mesas e da conferência de abertura): R$ 8
PatronosEstão abertas as inscrições para Patronos e Amigos FLIP. Para cada categoria há uma série de benefícios.
Conheça detalhes acessando o site da FLIP.
terça-feira, 3 de junho de 2008
PAULO COELHO DE NOVO!
POUCO depois da publicação do romance "O Zahir", o hotel parisiense Bristol rebatizou uma de suas iguarias com o nome "Chocolate quente de Paulo Coelho", em retribuição ao fato de o escritor ter ambientado ali uma das cenas do livro.
A homenagem seria seguida por um restaurante de Marrakech, no Marrocos, que incluiu em seu cardápio o "cuscuz à Paulo Coelho".
Essas celebrações gastronômicas, porém, são risíveis perto do reconhecimento pecuniário do emir de Dubai, que, em 2007, presenteou o autor de "O Alquimista" com uma mansão no valor de US$ 4,5 milhões -dádivas semelhantes contemplariam Pelé, o jogador David Beckham e o piloto Michael Schumacher.
Fatos como estes, relatados na biografia "O Mago", de Fernando Morais, não deixam dúvida: Paulo Coelho não é apenas um fenômeno editorial que suplantou Jorge Amado como escritor brasileiro mais conhecido no mundo; ele é o único escritor de qualquer língua a atingir celebridade planetária.
Morais não busca as razões literárias dessa consagração. Seu enfoque é a obstinação de um jovem que desde muito cedo queria se tornar escritor -a ponto de ter se empenhado mais na construção da imagem de iluminado do que na produção de uma obra. O biógrafo teve acesso a um baú contendo 40 anos de diários e gravações. Num dos trechos, Paulo Coelho escreve: "Sou um guerreiro aguardando sua hora de entrar decisivamente em cena (...) e minha sina é o sucesso. Meu grande talento é lutar por ele".
Até agora, Paulo Coelho era mais conhecido como o parceiro de Raul Seixas, o maluco beleza envolvido em seitas satânicas, que percorreu o caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, e conquistou o estrelato com a publicação de "Diário de um Mago".
Agora, sobe ao palco um personagem que, em meio a promiscuidade, drogas, internação em manicômios (com direito a tratamento por eletrochoque) e prisões sob suspeita (infundada) de envolvimento com grupos terroristas durante o regime militar, orquestrou o sucesso com o calculismo de um administrador de empresas.
A parte mais envolvente do livro corresponde aos anos de formação, marcados pelo fantasma de algumas culpas -como a omissão de socorro após atropelar um garoto ou aquela que considera sua maior covardia: ter se calado quando sua namorada implorava que ele a reconhecesse diante de torturadores do DOI-Codi.
Experiências homossexuais na juventude ou o curioso plágio de um texto de Carlos Heitor Cony (assinado fraudulentamente para um jornal de Aracaju) são momentos de desbunde que preparam a grande virada: uma visita ao campo de concentração nazista de Dachau, durante a qual teve a visão de um facho de luz que indicaria sua "trajetória mágica". "
Morais afirma que o "escritor Paulo Coelho" nasceu naquele dia de fevereiro de 1982. Sua obra propriamente dita só teria início em 1987, com "O Diário de um Mago" -e, com ela, aquilo que ele descreve como "esquartejamento público" do escritor por uma crítica até hoje atônita com seu sucesso.
Para os leitores menos crédulos, as supostas faculdades paranormais de Coelho sempre soaram como um hábil exercício de mistificação. Morais nos mostra, porém, um autor cuja religiosidade e obsessão de ver "sinais" a todo momento parecem autênticas.
Isso certamente não convalida o esoterismo e as lições espiritualistas de seus romances, mas confere complexidade à figura do escritor.
Em resumo, o protagonista de Fernando Morais em "O Mago" talvez seja mais interessante do que qualquer personagem de Paulo Coelho.
O texto foi escrito por Manuel da Costa Pinto, no jornal literário virtual Verdes Trigos, de 3 de junho.
A homenagem seria seguida por um restaurante de Marrakech, no Marrocos, que incluiu em seu cardápio o "cuscuz à Paulo Coelho".
Essas celebrações gastronômicas, porém, são risíveis perto do reconhecimento pecuniário do emir de Dubai, que, em 2007, presenteou o autor de "O Alquimista" com uma mansão no valor de US$ 4,5 milhões -dádivas semelhantes contemplariam Pelé, o jogador David Beckham e o piloto Michael Schumacher.
Fatos como estes, relatados na biografia "O Mago", de Fernando Morais, não deixam dúvida: Paulo Coelho não é apenas um fenômeno editorial que suplantou Jorge Amado como escritor brasileiro mais conhecido no mundo; ele é o único escritor de qualquer língua a atingir celebridade planetária.
Morais não busca as razões literárias dessa consagração. Seu enfoque é a obstinação de um jovem que desde muito cedo queria se tornar escritor -a ponto de ter se empenhado mais na construção da imagem de iluminado do que na produção de uma obra. O biógrafo teve acesso a um baú contendo 40 anos de diários e gravações. Num dos trechos, Paulo Coelho escreve: "Sou um guerreiro aguardando sua hora de entrar decisivamente em cena (...) e minha sina é o sucesso. Meu grande talento é lutar por ele".
Até agora, Paulo Coelho era mais conhecido como o parceiro de Raul Seixas, o maluco beleza envolvido em seitas satânicas, que percorreu o caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, e conquistou o estrelato com a publicação de "Diário de um Mago".
Agora, sobe ao palco um personagem que, em meio a promiscuidade, drogas, internação em manicômios (com direito a tratamento por eletrochoque) e prisões sob suspeita (infundada) de envolvimento com grupos terroristas durante o regime militar, orquestrou o sucesso com o calculismo de um administrador de empresas.
A parte mais envolvente do livro corresponde aos anos de formação, marcados pelo fantasma de algumas culpas -como a omissão de socorro após atropelar um garoto ou aquela que considera sua maior covardia: ter se calado quando sua namorada implorava que ele a reconhecesse diante de torturadores do DOI-Codi.
Experiências homossexuais na juventude ou o curioso plágio de um texto de Carlos Heitor Cony (assinado fraudulentamente para um jornal de Aracaju) são momentos de desbunde que preparam a grande virada: uma visita ao campo de concentração nazista de Dachau, durante a qual teve a visão de um facho de luz que indicaria sua "trajetória mágica". "
Morais afirma que o "escritor Paulo Coelho" nasceu naquele dia de fevereiro de 1982. Sua obra propriamente dita só teria início em 1987, com "O Diário de um Mago" -e, com ela, aquilo que ele descreve como "esquartejamento público" do escritor por uma crítica até hoje atônita com seu sucesso.
Para os leitores menos crédulos, as supostas faculdades paranormais de Coelho sempre soaram como um hábil exercício de mistificação. Morais nos mostra, porém, um autor cuja religiosidade e obsessão de ver "sinais" a todo momento parecem autênticas.
Isso certamente não convalida o esoterismo e as lições espiritualistas de seus romances, mas confere complexidade à figura do escritor.
Em resumo, o protagonista de Fernando Morais em "O Mago" talvez seja mais interessante do que qualquer personagem de Paulo Coelho.
O texto foi escrito por Manuel da Costa Pinto, no jornal literário virtual Verdes Trigos, de 3 de junho.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
EVENTO LITERÁRIO NO ESPAÇO SESC
Oi, pessoal.
Uma leitora e escritora de mini e microcontos, a Ângela Schnoor, muito simpaticamente está convidando os alunos e não-alunos da Estação das Letras para um evento literário com palestras e uma oficina a serem realizados no Espaço SESC, dias 12, 13 e 14 de junho, e contará com a presença de escritores do Rio Grande do Sul.
Vou pegar o folder na Estação, depois acrescentarei os detalhes. É só para vocês irem se programando.
O Blog da Ângela é bem bacana, dêem uma olhada:
http://.microargumentos.blogspot/
Uma leitora e escritora de mini e microcontos, a Ângela Schnoor, muito simpaticamente está convidando os alunos e não-alunos da Estação das Letras para um evento literário com palestras e uma oficina a serem realizados no Espaço SESC, dias 12, 13 e 14 de junho, e contará com a presença de escritores do Rio Grande do Sul.
Vou pegar o folder na Estação, depois acrescentarei os detalhes. É só para vocês irem se programando.
O Blog da Ângela é bem bacana, dêem uma olhada:
http://.microargumentos.blogspot/
sábado, 24 de maio de 2008
QUEM LÊ POESIA É MAIS INTELIGENTE
Mais uma contribuição!
Desta vez quem mandou foi a poeta Maju Costa, grande amiga da Estação das Letras, e pelo tom do texto, se vocês toparem, começaremos uma discussão virtual com seus comentários.
Concordo plenamente com o Rodrigo, já na primeira frase. Não é um qualquer que saiba como flutuar nos versos de uma poesia, que queira ser invadido por ela. Uma poesia pode ter uma estética perfeita, ou te dar um soco, pode te elevar às nuvens, ou pode fazer com que você desça uma escada bem longa, até aquele lugar que você guarda escondido...
Por Rodrigo Capella*
O leitor de poesia não é qualquer leitor. Ele é, na grande maioria das vezes, bem mais inteligente e sensitivo do que o leitor de prosa. Ler obras com começo, meio e fim é muito fácil e chega a dar tédio. O difícil e atraente é captar a essência, o dinamismo e o significado dos versos, compostos por diversas sintonias e linguagens. Tudo isso faz do leitor de poesia um leitor mais exigente e participativo.
Não é raro ele ser o primeiro a perguntar e questionar determinada questão que está sendo debatida em um evento literário. Não é raro também ele se levantar, ir na frente de todos e ler um pequeno verso que escreveu. O leitor de poesia é, portanto, um poeta, enrustido ou consciente, mas ele é um poeta. Um ser apaixonado por poesia e flexível aos movimentos contemporâneos.
Diferente do leitor de prosa, ele consegue enxergar tendências, captar informações únicas e vivenciar momentos puros. O leitor de poesia também é um grande escritor. Machado de Assis, Hilda Hilst e o criador de Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle, por exemplo, leram, escreveram e publicaram poesia, poesia de boa qualidade.
Machado lançou cinco livros do gênero. “Crisálidas” em 1864, seguido por Falenas (1870), Americanas (1875), Ocidentais (1880) e o excelente “Poesias Completas” (1901), que deveria ser lido por todo brasileiro poeta. Já Conan Doyle, lançou em 1898 “Songs of Action”. Depois vieram “Songs of the Road” (1911), “The Guards Came Through and Other Poems” (1919) e “The Poems of Arthur” (1922), títulos sem tradução para o português. Hilda Hilst superou os dois escritores ao apresentar aos seus leitores mais de vinte livros de poesia. Destacam-se “Do Desejo”, de 1992, e “Do Amor”, publicado sete anos depois, que apresentam uma métrica bem inovadora.
O leitor de poesia é um leitor exigente, que entra em contato com o poeta para questionar, dialogar e propor, exercendo a democracia, que está fortemente enraizada no conceito poético. Freqüentemente, passo por experiências desse tipo em eventos literários e debates sobre meu último livro, “Poesia não vende”. Leitores de várias partes do Brasil perguntam, enviam e-mails e querem saber de tudo. Percebi, nesses momentos, que o leitor de poesia é um leitor fiel as suas convicções, as suas idéias e paradigmas.
Dificilmente, muda de idéia. Na verdade, ele é um leitor fiel á própria poesia e ouvir que “poesia não vende” não é nada agradável. Mas, o poeta tem como função romper paradigmas. Então, é comum o leitor e o próprio poeta entrarem em contradição. Essa é a essência da poesia, essa é a essência da vida. O leitor de poesia é também um leitor sincero e transparente. Aplaude quando gosta de um trabalho, questiona quando se sente atordoado e lamenta quando suas expectativas não foram atingidas. É um leitor que odeia marketing, não gosta das superexposições de livros e foge das obras mais vendidas.
Ele quer novidades, quer descobrir novos poetas e quer compartilhar os seus momentos com poesias naturais, que não apresentem conceitos e idéias pré-concebidas pelo mercado editorial. Tudo isso faz do leitor de poesia um verdadeiro revolucionário, que não tem medo de sair ás ruas, ler boa poesia e promover encontros, a base de vinhos, palavras e sugestões. O leitor de poesia não teme o amanhã, sabe, aliás, que precisa ser parceiro do futuro e, que junto com ele, pode valorizar a poesia. O leitor de poesia não teme lutar contra a maré, não teme enfrentar o mercado editorial, não teme as conseqüências da valorização da poesia.
Aliás, luta por isso a todo instante, a cada dia, como se esse fosse um objetivo de vida, a principal das conquistas. Sabe que enfrenta obstáculos diários, tem consciência de que essa é uma luta sem fim e sem retorno imediato. Mas, sabe também que tudo tem um começo, tudo precisa de poesia. É graças a esses sentimentos e a esses leitores que a poesia persiste e vive, livre, leve e solta, em busca de patamares mais altos, de representatividade e, principalmente, de público, fiel ou não, adeptos ou não, poetas ou não.
O que importa é que a poesia seja lida, como se fazia antigamente nos bares, lares e escolas.
(*) Rodrigo Capella é escritor e poeta. Autor de vários livros, entre eles "Poesia não vende" e "Transroca, o navio proibido", que está sendo adaptado para o cinema pelo diretor gaúcho Ricardo Zimmer.
Desta vez quem mandou foi a poeta Maju Costa, grande amiga da Estação das Letras, e pelo tom do texto, se vocês toparem, começaremos uma discussão virtual com seus comentários.
Concordo plenamente com o Rodrigo, já na primeira frase. Não é um qualquer que saiba como flutuar nos versos de uma poesia, que queira ser invadido por ela. Uma poesia pode ter uma estética perfeita, ou te dar um soco, pode te elevar às nuvens, ou pode fazer com que você desça uma escada bem longa, até aquele lugar que você guarda escondido...
Por Rodrigo Capella*
O leitor de poesia não é qualquer leitor. Ele é, na grande maioria das vezes, bem mais inteligente e sensitivo do que o leitor de prosa. Ler obras com começo, meio e fim é muito fácil e chega a dar tédio. O difícil e atraente é captar a essência, o dinamismo e o significado dos versos, compostos por diversas sintonias e linguagens. Tudo isso faz do leitor de poesia um leitor mais exigente e participativo.
Não é raro ele ser o primeiro a perguntar e questionar determinada questão que está sendo debatida em um evento literário. Não é raro também ele se levantar, ir na frente de todos e ler um pequeno verso que escreveu. O leitor de poesia é, portanto, um poeta, enrustido ou consciente, mas ele é um poeta. Um ser apaixonado por poesia e flexível aos movimentos contemporâneos.
Diferente do leitor de prosa, ele consegue enxergar tendências, captar informações únicas e vivenciar momentos puros. O leitor de poesia também é um grande escritor. Machado de Assis, Hilda Hilst e o criador de Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle, por exemplo, leram, escreveram e publicaram poesia, poesia de boa qualidade.
Machado lançou cinco livros do gênero. “Crisálidas” em 1864, seguido por Falenas (1870), Americanas (1875), Ocidentais (1880) e o excelente “Poesias Completas” (1901), que deveria ser lido por todo brasileiro poeta. Já Conan Doyle, lançou em 1898 “Songs of Action”. Depois vieram “Songs of the Road” (1911), “The Guards Came Through and Other Poems” (1919) e “The Poems of Arthur” (1922), títulos sem tradução para o português. Hilda Hilst superou os dois escritores ao apresentar aos seus leitores mais de vinte livros de poesia. Destacam-se “Do Desejo”, de 1992, e “Do Amor”, publicado sete anos depois, que apresentam uma métrica bem inovadora.
O leitor de poesia é um leitor exigente, que entra em contato com o poeta para questionar, dialogar e propor, exercendo a democracia, que está fortemente enraizada no conceito poético. Freqüentemente, passo por experiências desse tipo em eventos literários e debates sobre meu último livro, “Poesia não vende”. Leitores de várias partes do Brasil perguntam, enviam e-mails e querem saber de tudo. Percebi, nesses momentos, que o leitor de poesia é um leitor fiel as suas convicções, as suas idéias e paradigmas.
Dificilmente, muda de idéia. Na verdade, ele é um leitor fiel á própria poesia e ouvir que “poesia não vende” não é nada agradável. Mas, o poeta tem como função romper paradigmas. Então, é comum o leitor e o próprio poeta entrarem em contradição. Essa é a essência da poesia, essa é a essência da vida. O leitor de poesia é também um leitor sincero e transparente. Aplaude quando gosta de um trabalho, questiona quando se sente atordoado e lamenta quando suas expectativas não foram atingidas. É um leitor que odeia marketing, não gosta das superexposições de livros e foge das obras mais vendidas.
Ele quer novidades, quer descobrir novos poetas e quer compartilhar os seus momentos com poesias naturais, que não apresentem conceitos e idéias pré-concebidas pelo mercado editorial. Tudo isso faz do leitor de poesia um verdadeiro revolucionário, que não tem medo de sair ás ruas, ler boa poesia e promover encontros, a base de vinhos, palavras e sugestões. O leitor de poesia não teme o amanhã, sabe, aliás, que precisa ser parceiro do futuro e, que junto com ele, pode valorizar a poesia. O leitor de poesia não teme lutar contra a maré, não teme enfrentar o mercado editorial, não teme as conseqüências da valorização da poesia.
Aliás, luta por isso a todo instante, a cada dia, como se esse fosse um objetivo de vida, a principal das conquistas. Sabe que enfrenta obstáculos diários, tem consciência de que essa é uma luta sem fim e sem retorno imediato. Mas, sabe também que tudo tem um começo, tudo precisa de poesia. É graças a esses sentimentos e a esses leitores que a poesia persiste e vive, livre, leve e solta, em busca de patamares mais altos, de representatividade e, principalmente, de público, fiel ou não, adeptos ou não, poetas ou não.
O que importa é que a poesia seja lida, como se fazia antigamente nos bares, lares e escolas.
(*) Rodrigo Capella é escritor e poeta. Autor de vários livros, entre eles "Poesia não vende" e "Transroca, o navio proibido", que está sendo adaptado para o cinema pelo diretor gaúcho Ricardo Zimmer.
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