sábado, 8 de março de 2008
novos blogs
Aí ao lado estão três novos blogs literários, diferentes entre si, mas com a mesma perspectiva.
Um é da Cláudia Lage, professora da Estação: A pequena morte e outras naturezas, livro seu que dá nome ao blog. Nele, há matérias que ela aborda com maestria, dicas de livros, textos seus, e em tudo você aprende a pensar Literatura.
O outro é da Adriana Lisboa, também professora (atualmente está nos States) tem um blog lindo, caquiscaidos, com músicas, dicas de livros, fotos, com textos que também te questionam sempre sobre o fazer literário.
Hoje chegou um de Salamanca, de um aluno da Estação, o Leonardo Villa-Forte, com textos seus, o garoto promete: catarsecontrolada.
Os três estão temperados, tanto no cravo como na pimenta, literatura de bom gosto.
Aproveitem.
quinta-feira, 6 de março de 2008
Leonardo Boff nos Cronopius
Companheiros de copo e de cruz, carpe diem!
Hoje, especialmente para os bem-humorados, para quem gosta de risos e sorrisos, uma crônica especial e humana do nosso querido Leonardo Boff, copiada dos Cronópios.
O sentido do humor e da festa
Leonardo Boff
Os tempos não são bons. A humanidade é conduzida por líderes na maioria negativos e medíocres. As religiões, quase todas, estão doentes de fundamentalismo, arrogância e dogmatismo, não excluídos setores da Igreja Católica Romana, contaminados pelo pessimismo cultural do atual Papa.
Mesmo assim há ainda lugar para o humor e o sentido da festa? Creio que sim.
Apesar dos absurdos existenciais, a maioria das pessoas não deixa de confiar na bondade fundamental da vida. Levanta-se pela manhã, vai ao trabalho, luta pela família, procura viver com um mínimo de decência (tão traída pelos políticos) e aceita enfrentar sacrifícios por valores que realmente contam. O que se esconde por detrás de tais gestos cotidianos? Aí se afirma de forma pré-reflexa e inconsciente: a vida tem sentido; aceitamos morrer, mas a vida é tão boa, como disse, antes de morrer, François Mitterrand.
Sociólogos como Peter Berger e Eric Vögelin têm insistido em suas reflexões que o ser humano possui uma tendência inarredável para ordem. Onde quer que ele emerja, cria logo um arranjo existencial com ordens e valores que lhe garantem uma vida minimamente humana e pacífica. É esta bondade intrínseca da vida que permite a festa e sentido de humor. Através da festa, no sacro e no profano, todas as coisas se reconciliam.
Como afirmava Nietzsche, “festejar é poder dizer: sejam bem-vindas todas as coisas”. Pela festa o ser humano rompe o ritmo monótono do cotidiano, faz uma parada para respirar e viver a alegria de estar-juntos, na amizade e na satisfação de comer e de beber. Na festa, o beber e o comer não têm uma finalidade prática de matar a fome ou a sede, mas de gozar do encontro e de celebrar a amizade.
Na festa o tempo do relógio não conta e é dado ao ser humano, por um momento, vivenciar o tempo mítico de um mundo reconciliado consigo mesmo.
Por isso, inimigos e desconhecidos são estranhos no ninho da festa, pois esta supõe a ordem e a alegria na bondade das pessoas e das coisas. A música, a dança, a gentileza e a roupa festiva pertencem ao mundo da festa. Por tais elementos o ser humano traduz seu sim ao mundo que o cerca e a confiança em sua harmonia essencial.
Esta última confiança dá origem ao senso de humor. Ter humor é possuir a capacidade de perceber a discrepância entre duas realidades: entre os fatos brutos e o sonho, entre as limitações do sistema e o poder da fantasia criadora. No humor ocorre um sentimento de alívio face às limitações da existência e até das próprias tragédias.
O humor é sinal da transcendência do ser humano que sempre pode estar para além de qualquer situação. No seu ser mais profundo é um livre. Por isso pode sorrir e ter humor sobre as maneiras que o querem enquadrar, sobre a violência com a qual se pretende submetê-lo.
Somente aquele que é capaz de relativizar as coisas mais sérias, embora as assuma num efetivo engajamento, pode ter bom humor. O maior inimigo do humor é o fundamentalista e o dogmático. Ninguém viu um terrorista sorrir ou um severo conservador cristão esboçar um sorriso. Geralmente são tão tristes como se fossem ao próprio enterro. Basta ver seus rostos crispados. Não raro são reacionários e até violentos.
Em última instância, a essência secreta do humor reside numa atitude religiosa, mesmo esquecida no mundo profano, pois o humor vê as realidades todas em sua insuficiência diante da Ultima Realidade. O humor e a festa revelam que há sempre uma reserva de sentido que nos permite ainda viver e sorrir.
Novidades na VERDES TRIGOS
Conselho: dar uma olhada ho site www.verdestrigos.org , que vem cheio de notícias literárias:
- Prêmio José Mindlin de Literatura;
- Recomendação de livro: "O briefing da Ética";
- Líbano boicota Salão do Livro em Paris;
- Chico Buarque - de retiro na França - estuda húngaro;
- Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas;
- o debate entre Freud e Jung sobre a teoria da libido.
Há mais, basta dar uma clicada.
sábado, 1 de março de 2008
IMAGENS, SONS, PALAVRAS
Uma imagem vale mais que 1000 palavras, dizem.
Quantas palavras valerão por uma música?
Aqui estão quatro músicas que foram concebidas e tocadas de formas diferentes, vindas de uma mesma fonte: Joachim Rodrigo (que era cego desde os três anos).
Ele compôs o Concerto de Aranjuez em 1939, após a guerra civil espanhola, voltando de Paris. Foi apresentada ao público pela 1a. vez em Madrid no ano seguinte.
Aranjuez fica ao sul de Madrid, e é conhecida por seu castelo imponente, reconstruído no século XVIII.
A obra clássica surpreendeu por sua audácia, pois um violão era colocado como solista na orquestra, o que obrigava o intérprete a um virtuosismo ímpar.
"O 2o. movimento é o mais conhecido. O adágio é lírico, cheio de temas populares, baseados nas melodias cantadas na Semana Santa. Há um belo diálogo entre o corne inglês e o violão, chegando ao final com uma longa cadência e a orquestra atacando em cheio." (Emanuel Martinez, maestro)
Foi escolhida pelo blog a interpretação no violão flamenco por Narciso Yepes, uma das mais tradicionais, muito conhecida no Brasil.
Em 1991 aparece a de Paco de Lucia, guitarrista flamenco, dando ênfase à uma exatidão rítmica, comum aos violonistas flamencos, em detrimento do tom perfeito, comum aos guitarristas clássicos. É tida como uma das músicas mais vendidas e ouvidas na Espanha.
Houve uma interpretação inesquecível nos anos 60 por Richard Anthony, (com a ajuda de Guy Bontempelli, que concebeu a belíssima letra em francês) fez da música um sucesso mundial.
Logo depois Miles Davis deu sua reinterpretação jazzística a este clássico da música espanhola, sem dúvida uma inovação.
Que estas quatro músicas os inspirem a escrever, pois elas nunca excluirão as palavras - apenas "falam" por elas.
1. www.youtube.com/watch?v=RxwceLlaODM
2. www.youtube.com/watch?v=w8LL1x6J2rU
3.http://www.dailymotion.com/video/xossr_aranjuez-richard-anthony_fun
4. www.youtube.com/watch?v=C5vhd-9Om44
PS. Há inúmeras outras interpretações: Pepe Romero, Chick Corea, Ikuko Kawai, Jean-Christian Michel, Procol Harum, Herp Albert, etc.
PS do PS. O blog de Emanuel Martinez vale uma visita. Ele é maestro e tem um blog completo para os amantes da música erudita:
www.repertoriosinfonico.blogspot.com
domingo, 24 de fevereiro de 2008
ENTREVISTA DO MESTRE
Oi, pessoal.
Há um jornal virtual chamado Algo a dizer, que realmente tem um diferencial. Um dos colaboradores é o advogado, poeta e escritor Celso Gomes, aluno da Estação das Letras. Gostaria que vocês dessem uma olhada no site www.algoadizer.com.br , para ver do que estou falando. A entrevista deste número é com o professor da Estação Jair Ferreira dos Santos, o mestre dos Contos.
Abaixo alguns trechos, vale a pena ler a íntegra no site, pois ela é polêmica, e está fazendo o maior sucesso entre os leitores do jornal.
ALGO A DIZER – Jair, você nasceu em 1946 em Cornélio Procópio, Paraná e desde 1971 mora no Rio de Janeiro. Fale para nossos leitores um pouco sobre esse período anterior à vinda para o Rio.
Jair Ferreira dos Santos - Venho de uma família simples, classe média baixa. Sou o mais velho de uma ninhada de nove filhos, dos quais três morreram. Meu pai era padeiro e violonista. Durante anos teve uma orquestra. Minha mãe é uma camponesa católica fervorosa que me ensinou quase tudo de essencial para a vida, das primeiras letras ao caráter. Todos os dias me dizia: saber não ocupa lugar. Eu acreditei nisso, era bom aluno e na adolescência, seguindo o clima de contestação da época, comecei a ler Freud, Marx, Sartre, Camus, os mestres da minha geração. Quando vim para o Rio, aos 23 anos, já trabalhava no Banco do Brasil, mas não havia publicado uma linha sequer.
ALGO A DIZER – Sabemos que todo escritor vive de concepções literárias formuladas pelas gerações que o precederam. Quais os escritores que o influenciaram?
Jair Ferreira dos Santos – Clarice Lispector foi uma referência básica para muita gente e para mim também, mas eu li muito Machado, Osman Lins, Kafka, Joyce, Proust, Musil e, sobretudo os americanos. Gosto imensamente dos autores americanos porque eles me ensinaram o caminho até a realidade, a minha realidade, quero dizer. Eles jamais abandonam a história e a vivência concreta do seu país. E por aí li bastante Fitzgerald, Hemingway, Faulkner, sobretudo John Barth e John Updike, o primeiro porque é um fabulista incomparável e o segundo porque é também um estilista de primeira linha. Queria ser escritor porque a ditadura militar me enojava e tanto o marxismo quanto o existencialismo, os quais eu admirava, cobravam um compromisso com o homem e a justiça social.
...
ALGO A DIZER – Seu livro O Que é Pós-Moderno figura na coleção Primeiros Passos da Editora Brasiliense, com mais de cem mil cópias vendidas. Como surgiu a idéia deste livro? E o que é pós-moderno?
Jair Ferreira dos Santos – O livro surgiu de uma dissertação de mestrado que não fiz. Baixei a bola e a transformei num texto que se aproximasse o máximo possível daquilo que os franceses chamam de “haute vulgarisation”, ou seja, um conceito complexo explicado para milhões. Deu certo, já vendeu mais de 120 mil exemplares. O pós-moderno é uma idéia ainda em processo e se caracteriza pelo advento da sociedade pós-industrial, isto é, com foco não na produção de bens industriais, mas na geração de informação e conhecimento necessários aos serviços, num contexto que não mais acredita, como na modernidade, nos grandes discursos (religião, razão, ideologia, História), cultivando antes as soluções parciais, pragmáticas, o aqui e a agora do consumo, do individualismo e do narcisismo contemporâneos. Isto bate em toda linha com o triunfo globalização e a generalização do capitalismo neoliberal, mas também não é o Fim da História. A crise ecológica é uma faca no pescoço das sociedades avançadas e vai obrigá-las a grandes reformulações. Para disseminar por todos os países o nível de consumo americano, por exemplo, serão necessários quatro planetas Terra.
ALGO A DIZER – Jair, você é um crítico mordaz da classe média urbana. Como surgiu essa decepção e onde você quer chegar com esse desnudamento?
Jair Ferreira dos Santos– Creio que é porque a classe média cultiva uma indecorosa inconsciência de classe e só a crítica, uma palavra execrada no jargão conformista atual, faz aflorar seu ridículo e suas contradições. Hoje todas as estratégias econômicas e políticas passam pela classe média porque ela é reformista, inerte, e absorveu, desmobilizou a grande onda de choque revolucionária dos anos 60 e 70. Além disso, ela é a principal destinatária da publicidade e do entretenimento midiático, ela é a espinha dorsal do consumismo, da obscenidade que são as celebridades, etc. Ela adora ser empulhada. Veja a televisão. Ela ajuda diariamente a classe média e os pobres a fingirem que não levam uma subvida, presenciando nas telas a “verdadeira vida”, que é a levada pela burguesia com seu alto consumo. É isto é um ideal de existência!!!!!!!!!!
...
ALGO A DIZER – Jair, qual o papel da literatura nos dias atuais? A literatura ainda pode modificar as pessoas com sua força de questionamento, como Kafka fez com a gente?
Jair Ferreira dos Santos – Eu quero ser otimista, mas estamos no meio de uma revolução tecnológica, especialmente na área de comunicação, e a tendência parece encaminhar-se para mudanças radicais na forma de difusão da criação literária. A meu ver a literatura não acabará, porque narrar faz parte do processo de constituição da identidade humana e a poesia é a forma mais refinada de mergulharmos na dor e na alegria, coisas que dificilmente acabarão. Já o livro em papel sobreviverá talvez como certas artes menores, cunhagem de moedas, a tapeçaria, a gravura. A literatura mantém o homem permanentemente em questão, porque ele é o único ser cuja essência é a questão do seu ser – somos todos inacabados, incompletos e não é o Prozac que dará jeito nisso. Logo as coisas sérias transitarão por uma grande literatura minoritária, para poucos, como é o caso do surpreendente As Benevolentes, do franco-americano Jonathan Littell. Quando se falava na morte da arte de escrever pelo mercado de porcarias sub-literárias, surge um romance como este, de 900 páginas, em que um carrasco nazista bissexual dá sua visão da matança nos campos de batalha e de extermínio na Segunda Guerra Mundial. O poder hoje está com as neurociências, a biotecnologia e a hipercomputação e suas maravilhas, mas elas não são nada sem as palavras e a palavra é a nossa única possibilidade, como a flor que fura o asfalto, de transcendência na pura imanência tecnológica.
Como o próprio Jair diz nas suas aulas, é pau puro. Não deixe de ler tudo, e confira suas idéias políticas, quando diz que Lula merecia um terceiro mandato.
Cartas para a redação!
Há um jornal virtual chamado Algo a dizer, que realmente tem um diferencial. Um dos colaboradores é o advogado, poeta e escritor Celso Gomes, aluno da Estação das Letras. Gostaria que vocês dessem uma olhada no site www.algoadizer.com.br , para ver do que estou falando. A entrevista deste número é com o professor da Estação Jair Ferreira dos Santos, o mestre dos Contos.
Abaixo alguns trechos, vale a pena ler a íntegra no site, pois ela é polêmica, e está fazendo o maior sucesso entre os leitores do jornal.
ALGO A DIZER – Jair, você nasceu em 1946 em Cornélio Procópio, Paraná e desde 1971 mora no Rio de Janeiro. Fale para nossos leitores um pouco sobre esse período anterior à vinda para o Rio.
Jair Ferreira dos Santos - Venho de uma família simples, classe média baixa. Sou o mais velho de uma ninhada de nove filhos, dos quais três morreram. Meu pai era padeiro e violonista. Durante anos teve uma orquestra. Minha mãe é uma camponesa católica fervorosa que me ensinou quase tudo de essencial para a vida, das primeiras letras ao caráter. Todos os dias me dizia: saber não ocupa lugar. Eu acreditei nisso, era bom aluno e na adolescência, seguindo o clima de contestação da época, comecei a ler Freud, Marx, Sartre, Camus, os mestres da minha geração. Quando vim para o Rio, aos 23 anos, já trabalhava no Banco do Brasil, mas não havia publicado uma linha sequer.
ALGO A DIZER – Sabemos que todo escritor vive de concepções literárias formuladas pelas gerações que o precederam. Quais os escritores que o influenciaram?
Jair Ferreira dos Santos – Clarice Lispector foi uma referência básica para muita gente e para mim também, mas eu li muito Machado, Osman Lins, Kafka, Joyce, Proust, Musil e, sobretudo os americanos. Gosto imensamente dos autores americanos porque eles me ensinaram o caminho até a realidade, a minha realidade, quero dizer. Eles jamais abandonam a história e a vivência concreta do seu país. E por aí li bastante Fitzgerald, Hemingway, Faulkner, sobretudo John Barth e John Updike, o primeiro porque é um fabulista incomparável e o segundo porque é também um estilista de primeira linha. Queria ser escritor porque a ditadura militar me enojava e tanto o marxismo quanto o existencialismo, os quais eu admirava, cobravam um compromisso com o homem e a justiça social.
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ALGO A DIZER – Seu livro O Que é Pós-Moderno figura na coleção Primeiros Passos da Editora Brasiliense, com mais de cem mil cópias vendidas. Como surgiu a idéia deste livro? E o que é pós-moderno?
Jair Ferreira dos Santos – O livro surgiu de uma dissertação de mestrado que não fiz. Baixei a bola e a transformei num texto que se aproximasse o máximo possível daquilo que os franceses chamam de “haute vulgarisation”, ou seja, um conceito complexo explicado para milhões. Deu certo, já vendeu mais de 120 mil exemplares. O pós-moderno é uma idéia ainda em processo e se caracteriza pelo advento da sociedade pós-industrial, isto é, com foco não na produção de bens industriais, mas na geração de informação e conhecimento necessários aos serviços, num contexto que não mais acredita, como na modernidade, nos grandes discursos (religião, razão, ideologia, História), cultivando antes as soluções parciais, pragmáticas, o aqui e a agora do consumo, do individualismo e do narcisismo contemporâneos. Isto bate em toda linha com o triunfo globalização e a generalização do capitalismo neoliberal, mas também não é o Fim da História. A crise ecológica é uma faca no pescoço das sociedades avançadas e vai obrigá-las a grandes reformulações. Para disseminar por todos os países o nível de consumo americano, por exemplo, serão necessários quatro planetas Terra.
ALGO A DIZER – Jair, você é um crítico mordaz da classe média urbana. Como surgiu essa decepção e onde você quer chegar com esse desnudamento?
Jair Ferreira dos Santos– Creio que é porque a classe média cultiva uma indecorosa inconsciência de classe e só a crítica, uma palavra execrada no jargão conformista atual, faz aflorar seu ridículo e suas contradições. Hoje todas as estratégias econômicas e políticas passam pela classe média porque ela é reformista, inerte, e absorveu, desmobilizou a grande onda de choque revolucionária dos anos 60 e 70. Além disso, ela é a principal destinatária da publicidade e do entretenimento midiático, ela é a espinha dorsal do consumismo, da obscenidade que são as celebridades, etc. Ela adora ser empulhada. Veja a televisão. Ela ajuda diariamente a classe média e os pobres a fingirem que não levam uma subvida, presenciando nas telas a “verdadeira vida”, que é a levada pela burguesia com seu alto consumo. É isto é um ideal de existência!!!!!!!!!!
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ALGO A DIZER – Jair, qual o papel da literatura nos dias atuais? A literatura ainda pode modificar as pessoas com sua força de questionamento, como Kafka fez com a gente?
Jair Ferreira dos Santos – Eu quero ser otimista, mas estamos no meio de uma revolução tecnológica, especialmente na área de comunicação, e a tendência parece encaminhar-se para mudanças radicais na forma de difusão da criação literária. A meu ver a literatura não acabará, porque narrar faz parte do processo de constituição da identidade humana e a poesia é a forma mais refinada de mergulharmos na dor e na alegria, coisas que dificilmente acabarão. Já o livro em papel sobreviverá talvez como certas artes menores, cunhagem de moedas, a tapeçaria, a gravura. A literatura mantém o homem permanentemente em questão, porque ele é o único ser cuja essência é a questão do seu ser – somos todos inacabados, incompletos e não é o Prozac que dará jeito nisso. Logo as coisas sérias transitarão por uma grande literatura minoritária, para poucos, como é o caso do surpreendente As Benevolentes, do franco-americano Jonathan Littell. Quando se falava na morte da arte de escrever pelo mercado de porcarias sub-literárias, surge um romance como este, de 900 páginas, em que um carrasco nazista bissexual dá sua visão da matança nos campos de batalha e de extermínio na Segunda Guerra Mundial. O poder hoje está com as neurociências, a biotecnologia e a hipercomputação e suas maravilhas, mas elas não são nada sem as palavras e a palavra é a nossa única possibilidade, como a flor que fura o asfalto, de transcendência na pura imanência tecnológica.
Como o próprio Jair diz nas suas aulas, é pau puro. Não deixe de ler tudo, e confira suas idéias políticas, quando diz que Lula merecia um terceiro mandato.
Cartas para a redação!
LIVROS NA MESA - FEVEREIRO 2008
Ontem foi o evento "Livros na Mesa" da Estação das Letras, na Casa de Rui Barbosa. O convidado foi o escritor Jeferson de Andrade, que está lançando "Nunca seremos felizes", em que conta uma história romanceada do Brasil, de Getúlio a Lula. Outro visitante ilustre a comparecer foi o escritor Moacir Lopes ("A ostra e o vento"), sendo mediador o querido professor da Estação, Alvanísio Damasceno.
A palestra girou em torno de sua trajetória como editor (dos livros da Codecri, que editava o jornal O Pasquim) e escritor. Seu livro mais famoso é "Anna de Assis - história de um trágico amor: Euclides da Cunha, Anna e Dilermando", depoimento da filha Judith a respeito de sua mãe Anna e o pai Dilermando de Assis, que matou o escritor Euclides da Cunha.
Quem foi, gostou. Quem não foi, aguarde pois em março teremos o encontro de leitura: Escrevendo a Literatura Infantil Brasileira. Dia 29 de março.
A palestra girou em torno de sua trajetória como editor (dos livros da Codecri, que editava o jornal O Pasquim) e escritor. Seu livro mais famoso é "Anna de Assis - história de um trágico amor: Euclides da Cunha, Anna e Dilermando", depoimento da filha Judith a respeito de sua mãe Anna e o pai Dilermando de Assis, que matou o escritor Euclides da Cunha.
Quem foi, gostou. Quem não foi, aguarde pois em março teremos o encontro de leitura: Escrevendo a Literatura Infantil Brasileira. Dia 29 de março.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Livros na Mesa em 23 de fevereiro
Brasil, 1977, presidente Ernesto Geisel. Ditadura Militar, plenitude dos anos de chumbo. Uma comitiva formada por Lygia Fagundes Telles, Hélio Silva, Nélida Piñon e o autor de "Nunca Seremos Felizes", Jeferson de Andrade, é encarregada de entregar um manifesto contra a censura, ao Ministro da Justiça, Armando Falcão, em Brasília, com mais de mil assinaturas de intelectuais de todo o País. Era um período de forte repressão, mas ao mesmo tempo de luta por um ideal, na esperança de um futuro melhor para o Brasil.
Este é o enredo de "Nunca Seremos Felizes", que Jeferson de Andrade nos apresentará no Livros na Mesa, EDIÇÃO DE 23 de fevereiro, na Casa de Rui Barbosa, logo após o troca troca que os alunos da Estação das Letras promovem. O AUTOR AUTOGRAFA O LIVRO LOGO APÓS O DEBATE.
Traga seu livro (bom livro). Troque. Promova debates em torno da idéia do seu livro. É tudo grátis. 14h em ponto, não se esqueça! A Casa de Ruifica na São Clemente 134 , Botafogo.
Este é o enredo de "Nunca Seremos Felizes", que Jeferson de Andrade nos apresentará no Livros na Mesa, EDIÇÃO DE 23 de fevereiro, na Casa de Rui Barbosa, logo após o troca troca que os alunos da Estação das Letras promovem. O AUTOR AUTOGRAFA O LIVRO LOGO APÓS O DEBATE.
Traga seu livro (bom livro). Troque. Promova debates em torno da idéia do seu livro. É tudo grátis. 14h em ponto, não se esqueça! A Casa de Ruifica na São Clemente 134 , Botafogo.
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