domingo, 18 de maio de 2008
"Não use palavras muito grandes no texto. Não diga 'infinitamente' quando você querdizer 'muito'. De outra forma, não lhe restarão palavras quando quiser falar sobre algo realmente infinito."
C.S. LEWIS
"Depois de ser rejeitado por várias editoras, ele decidiu escrever para a posteridade."
GEORGE ADE
"A arte não é só talento, mas sobretudo coragem."
GLAUBER ROCHA
"Se eu gosto de poesia? Gosto de gente, bichos, plantas, lugares, chocolate, vinho, papos amenos, amizade, amor. Acho que poesia está contida nisso tudo."
DRUMMOND
sexta-feira, 16 de maio de 2008
A VOZ DO ESCRITOR
"Minha linguagem é uma prostituta universal que eu tenho que transformar numa virgem" - KARL KRAUSS
Uma vez SAMUEL BECKETT, o mais austero dos escritores, comparou "escrever com estilo, essa vaidade...a uma gravata-borboleta em volta de uma garganta com câncer".
"Quando lemos Freud, escutamos um homem brilhante exibindo para nós todo o poder de sua mente. Ao comparar o ato de escrever à psicanálise, estou implicitamente afirmando que para um indivíduo encontrar sua voz própria como escritor, em determinados aspectos é como o caprichoso processo de se tornar adulto" ALFRED ALVAREZ.
"O caos, numa obra de arte, deve cintilar através do véu da ordem." NOVALIS
"Comecei o exercício terapêutico de expurgar da minha mente todos aqueles demônios aprisionados que aguardavam convocação para vir à tona." RALPH STEADMAN
A FIDELIDADE DAS COISAS
A ironia de Herbert, sua discrição austera e sua compaixão, a lucidez de seu lirismo, a intensidade de seu amor pela antiguidade clássica, não são apenas ornamentos exibidos por um poeta moderno, e sim a armadura - no seu caso, de aço bem temperado e reluzente - de que um homem precisa para não ser esmagado pelas investidas da realidade.
Como não oferece a seus leitores concessões estéticas nem éticas, esse poeta os salva daquela pobreza que não serve tão bem a todas as formas do mal." JOSEPH BRODSKY
PEDRA
A pedra
é uma criatura perfeita
igual a si mesma
percebe seus limites
é perfeitamente preenchida
por seu sentido de pedra
seu cheiro não lembra nada
não assusta não excita
seu ardor e frieza
são justos e dignos
sinto um grande remorso
quando a pego na mão
e seu corpo nobre
é envolvido pelo meu falso calor
- Pedras não podem ser domadas
até o fim nos olharão
com olhos calmos e transparentes.
OBJETOS
Os objetos inanimados são sempre corretos e,
infelizmente, não se pode censurá-los por nada.
Jamais vi uma cadeira deslocar o peso de um
pé para outro, nem uma cama empinar-se sobre
as patas traseiras. E as mesas, mesmo quando
cansadas, não ousam dobrar os joelhos. Desconfio
que os objetos ajam assim com intenção
pedagógica, a fim de nos reprovar constantemente
por nossa instabilidade.
NO ARMÁRIO
Sempre desconfiei que a cidade fosse uma
falsificação. Mas só numa tarde nevoenta
no início da primavera, quando o ar cheira
a amido, que descobri a natureza da fraude.
Vivemos dentro de um armário, nas mais abissais
profundezas do olvido, em meio a varas quebradas
e caixas fechadas. Seis paredes pardas, as nuvens-
pernas de calças acima de nossas cabeças, e o que
até ainda há pouco julgávamos ser uma catedral
mas na verdade é apenas um sombrio frasco de
perfume evaporado.
Ó pobres noites, em que rezamos à passagem de
uma mariposa-cometa.
SUICÍDIO
Ele era muito teatral. Colocou-se diante do
espelho com um terno preto e uma flor na lapela.
Levou a arma até a boca, esperou até que o
tambor esquentasse e, olhando para seu reflexo
com um sorriso alheado, puxou o gatilho.
Caiu como um paletó lançado dos ombros, mas
a alma continuou em pé por algum tempo,
sacudindo a cabeça, cada vez mais leve. Então,
com relutância, ela penetrou no corpo, sangrento
na extremidade superior, no momento em que
sua temperatura estava caindo para o nível
térmico de um objeto, o qual - como sabemos -
é sinal de longevidade.
O texto do Brodsky e as poesias transcrevi da revista Piauí deste mês, pois achei-as de uma beleza espantosa, assustadora. Há outras igualmente tocantes.
domingo, 4 de maio de 2008
Tataraneto do Tolstoi mora aqui no Rio!
Não é mentira, Vassia Tolstoi nasceu em Paris, e sua ascendência é russa e nobre, pois é tataraneto do conde Lev Tolstoi, autor de “Guerra e paz”, “Anna Karenina”, “A morte de Ivan Ilyich”, “A sonata Kreutzer”, etc.
Veio passar dois meses, está há dois anos, e aqui conheceu a carioca Daniela na pizzaria Guanabara às cinco da manhã, coisas de amor à primeira vista. Resumindo: casaram-se ao som de Clara Nunes em Santa Tereza. Moram entre o morro do Vidigal e a favela Chácara do Céu (subindo quatro lances de escada) numa casa avarandada bem no meio do mato. Querem mais? Tem um Fusca 70.
“O dinheiro representa uma nova forma de escravidão impessoal, em lugar da antiga escravidão pessoal” - frase do Conde num de seus contos, ”O dinheiro”- que resume a postura do tataraneto concernente a valores, certamente herdados da família.
Sua origem nobre vem com a czarina Catarina, que sobe ao trono com o apoio de Tolstoi. Por causa deste detalhe recebe dela o título de conde, um marco na vida do escritor. O título passou de Lev ao filho Nicholas, (bisavô de Vassia) poeta e músico cujo filho médico, Serge, foge para a França durante a revolução russa, e em Paris nasce o pai do rapaz de 31 anos , morador do Rio.
Vassia nunca trocou a amizade dos amigos plebeus pelo que restou da aristocracia européia com suas festas vips. Mesmo aqui, prefere “um samba na Mangueira do que beber champagne numa mansão no Leblon”. Herança do tataravô? Possivelmente, e foi assim desde criança. Só tomou consciência de sua origem aos catorze anos quando fez bagunça na aula de geografia. Como castigo a professora mandou que fizesse na semana seguinte um seminário sobre sua família, e aí a ficha caiu.
Foi à Rússia a primeira vez depois da queda do muro de Berlim, e levou um choque quando leu no jornal que estava no país. “Se te vêem apenas como um descendente de Lev Tolstoi, você não é ninguém”, disse.
Trabalhou como DJ, fotógrafo, quando “tinha contato com pessoas histéricas e estúpidas, com modelos anoréxicas tratadas como lixo, um drama, isso só para vender roupas”. Aí largou tudo: o dinheiro, as belas mulheres, a moda. Cansado de trabalhar como um louco, viajou para conhecer os parentes da mãe uruguaia, depois veio ao Rio, onde foi ficando. Como fotógrafo da Paris Match , tem um projeto próprio: publicar os retratos dos 700 freqüentadores do posto 9, em Ipanema, clicados num estúdio improvisado na praia, dentro da barraca de um vendedor de cerveja!
Por que esta matéria aqui? Primeiro, o cara é descendente de um gênio escritor, segundo, os tempos são outros, mas ele optou por ser ele próprio, optou por viver de acordo com os seus valores, renunciando a outros.
Isto é algum exemplo? É. Pois para escrever – um exercício solitário – você renuncia a muitas coisas, além de ler e ler e ler para se impregnar de boa Literatura, ou da má também, se tiver tempo. Escrever é cortar, para ir ao âmago da escrita.
Claro que há outros exemplos mais edificantes, mas este é sui-generis, um aristocrata que renuncia a Dior e batuca Martinho da Vila, pois foi batucando com dois talheres "Rosa do povo", de Martinho, que ele recebeu o repórter da Piauí, revista de onde veio este resumo.
quinta-feira, 24 de abril de 2008
VENCEDOR DO PRÊMIO J. MINDLIN DE LITERATURA
A comissão julgadora do concurso foi composta pela editora e escritora Maria Amélia Mello, pela professora e escritora Maria Esther Maciel e pelo escritor Antônio Torres. Dedicados à avaliação das centenas de obras que receberam, o júri reuniu-se no dia 4 de abril para, juntos, na presença da diretora executiva da Autêntica Editora, Rejane Dias, da curadora da Biblioteca de Guita e José Mindlin,Cristina Antunes e do patrono da premiação, José Mindlin, escolherem o vencedor. De acordo com eles, a obra premiada se destacou das demais por “apresentar uma narrativa original, instigante e literariamente bem construída”.
Walther Moreira Santos é dramaturgo e ficcionista, vencedor de diversos prêmios literários e autor de 10 obras nos gêneros memória, teatro, romance e infantil. De acordo com ele, O ciclista “é uma história sobre perdão, apego e perda, que mescla sexualidade, budismo e psicanálise”. Ele conta que geralmente leva uns seis meses escrevendo um romance, mas considera O ciclista uma obra demorada, “construída palavra a palavra ao longo de quatro anos’.
terça-feira, 22 de abril de 2008
50 ANOS DE BOSSA NOVA
A Estação das Letras e o Museu da República promovem:
50 ANOS DE BOSSA NOVA
com Ruy Castro
O curso se dispõe a mostrar como a Bossa Nova, embora esteja de fato completando 50 anos em 2008, não nasceu magicamente na gravação de um disco, nem mesmo em uma boate, muito menos em um apartamento. Tratou-se, na verdade, de um processo que pode ter começado dez anos antes, e que era inevitável. Alguma coisa iria fatalmente acontecer à MPB naquela época - e que seria uma bossa nova do mesmo jeito, embora não talvez a Bossa Nova como a conhecemos. O curso revelará detalhes inéditos desse fascinante processo.
Durante as aulas serão tocados discos raros e gravações originais.
Dias: 12, 19, 26 de maio e 2 de junho, às segundas-feiras, das 19 às 21 horas.
Valor: R$ 220,00.
Local: Museu da República, r. do Catete n. 153, sala Multimídia.
Reservas: (21) 3237 3947
r. Marquês de Abrantes, 177 lj.107, Flamengo.
segunda-feira, 21 de abril de 2008
PRÊMIO OFF-FLIP DE LITERATURA 2008
O PRÊMIO OFF FLIP DE LITERATURA foi criado em 2006 por iniciativa da OFF FLIP - Circuito Paralelo de Idéias e este ano contempla dois gêneros literários: CONTO e POESIA. Poderão participar autores maiores de 18 anos de qualquer nacionalidade residentes no Brasil, bem como autores de países lusófonos (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste) ou brasileiros residentes no exterior.
INSCRIÇÕES
As inscrições serão realizadas até o dia 21 de maio de 2008. Para os dois gêneros (CONTO e POESIA) há duas categorias: CATEGORIA NACIONAL-EXTERIOR e CATEGORIA LOCAL, sendo que os autores da categoria local - residentes em Paraty - também concorrerão na primeira categoria.
Os textos devem ser inéditos e escritos em língua portuguesa. O tema é livre e cada autor poderá enviar apenas um texto por gênero literário, digitado em papel tamanho A4 e em apenas uma das faces do papel e com as seguintes características:
CONTO: Os autores deverão utilizar fonte Times New Roman tamanho 12, com espaçamento 1,5 entre as linhas e todas as margens medindo 3 cm. Os contos não poderão ultrapassar o limite de 4 (quatro) páginas.
POESIA: Os autores poderão utilizar qualquer tipo de fonte, diagramação e espaçamento, desde que o texto não ultrapasse o limite de 2000 caracteres (sem considerar os espaços em branco).
É obrigatório o uso de pseudônimo, que deverá constar ao final do texto. Os textos inscritos na CATEGORIA NACIONAL-EXTERIOR devem ser apresentados em 4 (quatro) vias e os inscritos na CATEGORIA LOCAL devem ser apresentados em 7 (sete) vias.
Haverá uma taxa de inscrição no valor de R$ 50,00 (cinqüenta reais) para cada gênero literário (CONTO e POESIA). Os autores que optarem por concorrer nos dois gêneros deverão fazer a sua inscrição de forma independente, em envelopes diferentes e fazendo separadamente o pagamento da taxa de inscrição correspondente.
Os textos deverão ser enviados em um envelope grande e lacrado, identificado na frente com o nome do concurso e o gênero escolhido (CONTO ou POESIA). Dentro deste envelope os concorrentes deverão enviar um envelope menor, também lacrado, identificado na parte externa com o título do trabalho e o pseudônimo utilizado. O envelope menor deverá conter o original do comprovante de depósito da taxa de inscrição e uma folha com os seguintes dados: nome completo do autor e pseudônimo utilizado, título do trabalho, gênero literário, data de nascimento, endereço completo, e-mail e telefone para contato e uma breve nota biográfica. Os textos deverão ser enviados para o seguinte endereço:
PRÊMIO OFF FLIP DE LITERATURA
BIBLIOTECA MUNICIPAL FABIO VILLABOIM
Prédio da Antiga Cadeia s/n - Largo de Santa Rita - Centro Histórico
CEP 23970-000 - PARATY - RJ
As inscrições serão feitas somente pelo correio e para todos os efeitos será considerada a data de postagem. O pagamento da taxa de inscrição deverá ser feito mediante depósito na conta indicada abaixo:
OFF FLIP 2008
BANCO DO BRASIL
Agência: 2406-6 - Parati
Conta Corrente: 13.792-8
Prêmio OFF FLIP abre inscrições para contos e poesias
Estão abertas até 21 de maio as inscrições para o III Prêmio OFF FLIP de Literatura. Podem participar autores de qualquer nacionalidade residentes no Brasil e brasileiros que residem no exterior. Este ano as inscrições serão estendidas também a autores de países lusófonos.
Promovido pela OFF FLIP, o Prêmio oferecerá no total R$ 5 mil aos vencedores, além de estadia em Paraty entre os dias 2 e 6 de julho e ingressos para mesas de debate da FLIP. Há também outras formas de premiação, como cota de livros do selo Record, exemplares da Revista CULT, passeio pela baía de Paraty na escuna Banzay e um almoço de confraternização no Restaurante Ilha Rasa.
Os contos e poemas serão avaliados por duas comissões formadas por escritores de expressão no cenário literário brasileiro. Uma terceira comissão avaliará os textos inscritos na categoria local. A premiação será durante a OFF FLIP, que acontecerá entre 2 e 6 de julho paralelamente à Festa Literária Internacional de Parati.No mesmo dia da premiação será lançada a coletânea com os poemas e contos vencedores nos dois anos anteriores, a ser publicada em parceria com a Quarto Setor Editorial.
O regulamento pode ser lido no endereço www.offflip.paraty.com, onde em breve estará disponível a programação da OFF FLIP 2008.